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quinta-feira, 15 de maio de 2008

d'uma estrela
























se à noite
..........o céu fosse
...............................meu



só haveria
...........lugar
pra uma estrela



e esse
........... lugar seria





.......................................seu.


André Espínola

segunda-feira, 12 de maio de 2008

em diração sul


bêbado,
.
eu vi o céu cinzento
desenhar com nuvens
um coração
azul.
.
bêbado,
.
eu logo vi o vento
desmanchá-lo
.
e seguir,
bêbado,
.
na direção
sul.
.
André Espínola

terça-feira, 29 de abril de 2008

Rua da Aurora, Recife-PE
Foto: Felipe Ferreira

da aurora
pouco
posso enxergar:

ou estou muito
sonolento,

ou bêbado demais
abrindo/fechando bar.
.
André Espínola

domingo, 13 de abril de 2008

Festa da Saudade


DIA


saudade canta
no peito,

s a l t a

tal qual criança
pulando corda.

depois, bêbada,

tropeça

vomita no chão,
e do chão
pinta as paredes
com o vermelho
da solidão.

levanta-se
como se cair fosse
um passo de dança

e faz roda de ciranda
de mãos dadas
com as
lembranças.


NOITE


já suada,
tira a roupa,
vai pra cama,

abre as pernas

e diz

- vem.

aí dorme eu dentro dela,
ela dentro d'eu

sem saber se
eu sou ela
ou se ela sou eu.

André Espínola

terça-feira, 1 de abril de 2008

Encontro de Sentidos Contrários



É em trilhos
abandonados
que eu trilho
meu caminho

com sentido
cidade-subúrbio.

A vegetação
que os encobre
parece devorá-los
aos poucos,

e só não os come
por inteiro

porque tremem,
lá dentro,

ecos de saudade
das passagens
antigas
de trens.

E lá na frente,
pelos mesmos trilhos
abandonados,
tu vens.

No teu sentido,
subúrbio-cidade.

André Espínola

sábado, 15 de março de 2008

Sobre quando o céu desaba


Quando o céu desaba
e as nuvens caem
feito escombros,

pra mim tu és como Atlas,
e carregas meu mundo
nos ombros.

André Espínola

terça-feira, 11 de março de 2008

Robert de Itamaracá



Não sei se estou tão bêbado,
Nem muito menos
Se isto é puesia,

Mas me sinto
Um blues de Johnson
Numa ciranda de Lia.

André Espínola

terça-feira, 4 de março de 2008

Da Criação (Exílio de Deus)


Quando o céu engoliu o dia,
A terra vomitou
A noite.

Quando a montanha
Mórbida e sedentária,
Engordou,

O mar fazia regime,
Enchia e secava.

E quando deus
se cansou
De criar estalando os dedos
Deu ao homem a palavra.

Que se vingou.

Fez-se montanha de medo,
Vômito de poesia,
E oceano de segredo.

André Espínola

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Do Que Acontece Às Seis e Meia da Noite no Recife


Motores cantando,
sirenes e buzinas
soando.

os olhos do tempo
fechados,
e ainda assim,
observando.

cada detalhe
que não existe
no caos do trânsito.

André Espínola

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Sou

















"Apesar disso
- escutem bem -
todos os homens
Matam a coisa amada;
Com galanteio alguns o fazem,
enquanto outros
Com face amargurada;
Os covardes o fazem com um beijo,
Os bravos, com a espada!

Oscar Wilde


Sou

Um deserto num oásis,
Um jardim estéril
Num apartamento
Não acabado,

Um jogo de póquer sem "ásis"
Um cata-vento sem vento,
Uma prosa de versos
Rabiscados.

Sou

O assassino louco
Inconsequente e psicopata,
Do meu próprio Mar Morto.
As presas que nele mergulham,
Termino sempre por matá-las.



André Espínola

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Enquanto Um Cai, Outro Fica Em Cima























Quando o mar braveja
Com suas ondas furiosas
E dissolve o distinto
Castelo de areia,

Uma criança brinca,
Outra chora.

Quando a tempestade
Transcende a conta de gotas
E derruba barreiras,
Leva casas ao chão,

Um fica desabrigado,
Outro pensa em saudade
Ou solidão.

Quando a noite chega
Há quem quer e há quem
Não queira,
Mas cada um pragueja:

Um pelo trabalho que tem,
Outro pelo que deseja.

André Espínola

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Noite Sem Nome


















O que é noite aqui,
Para mim
Deveria chamar-se outra coisa.

Há um vazio completo de nada.

Aquele vazio do tipo
Que nunca passa
Despercebido.

Quando os arranha-céus não existem
O céu escuro abraça até o limite
Que as serras velando a cidade permitem.

A escuridão é maior.

Marcante, lá no alto,
É a Igreja que alumia
As vielas e o povo,
Mais que o próprio dia.

É nessa noite ainda sem nome,
Que Nossa Senhora ou
Qualquer um desses santos,

Renova a fé
Do povo Interiorano.

André Espínola.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Diálogo Poético de Namorados Sobre Guarda-Roupa


- "amor,
despe minhas vestimentas,
que escondem no bolso
meus medos
e pensamentos,

tentam, como quem
costura e (re)emenda,
fazer da realidade
pesadelos.

amor,
estes são os que
nunca levarás contigo
para cama,

as causas da minha tormenta".

- "que bom, meu bem,
prefiro você nela,
nu, quente e suado,
dizendo que me ama".

- "por isso que eu te amo, porra!

mas como não são poucas,
pega todas elas
e guarde-as numa sentinela
de indesejadas roupas".

André Espínola