segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

OS ARGONAUTAS POUSARAM EM PLENA AVENIDA ATLÂNTICA























Seres do espaço sideral,
Humanos por essência,
Cometeram a suprema indelicadeza
De pousarem no meu quintal,
E amarrotarem as roupas que coloquei
Para secar
No varal.

Também acabaram com
A minha plantação de papoulas estéreis,
Assustaram homens e mulheres,
Afastaram os pombos mestiços,
Expulsaram amores, dores e vícios,
Além do viço que só a ignorância humana
Consegue entender.

Os Argonautas me fizeram esquecer de você,
Quando me disseram
-assim na bucha-
Que tudo o que na verdade machuca,
Esfola, arranha, luxa,
Faz, no fundo, no fundo,
Crescer em tamanho esse baita tesão.

Eu teimei, confesso:
Fiz até oração.

Mas não deu certo, não...



Eduardo Perrone. Ilustração: Gullivera, de Milo Manara.

Um comentário:

MARCELO FARIAS disse...

Sempre foda, Perrone!