domingo, 30 de novembro de 2008

QUARTO ESCURO


















Se estivesses aqui
neste quarto escuro,
ao som do ventilador de teto
e de David Bowie,

Talvez hesitasses no início,

mas depois repousarias
tua cabeça
em meu peito nu,
e ouvirias
meu coração bater,
finalmente tranqüilo.

Quanto aos olhos, tu
fechá-los-ia,
como se estivesses a dormir.

Eu escolheria algumas palavras
e as escreveria com o dedo
_uma carta
na tua pele.

Talvez entendesses, talvez não,

mas em teu corpo estaria escrito,
como tatuagem indolor.

Tudo o mais estaria esquecido.

Mas meus olhos abrem...

e vêem o mesmo quarto escuro
ao som do ventilador de teto
e de David Bowie...

e a mesma solidão.



André Espínola.

2 comentários:

MARCELO FARIAS disse...

Há algo de surrealista neste poema.

Trish R. disse...

Há mesmo.

E o David Bowie se encaixou perfeitamente nele.


=]