quarta-feira, 17 de junho de 2009

HUMANO



















Pode haver feiura no teor da fala
na miopia e estreiteza de pensamentos
e até mesmo na boca que cala.

Quando presente, torna-me o dia
falsário e ladrão.

Não vem por acidente,
me ludibria,
se esconde no armário,
mas faz-me descrente e pagão.

Pecado sem castigo
sem punição,
é parte da vida, é dela um bocado,
sacia e não nutre,
maldita comida.

Eunucos, corcundas,
defeituosos,
nós, homens, somos sombras,
fracos, leprosos.

Nos deram uma alma
mas não ensinaram
que se não é sagrada
não serve pra nada.


Bianca Siotti. Ilustração: desenho anatômico de Leonardo Da Vinci mostrano as proporções do corpo humano.

2 comentários:

MARCELO FARIAS disse...

Você me fez lembrar o pensamento indiano... Temos de ler e refeltir de novo.

Bento Calaça disse...

Um belo poema
com muita força nos versos!