sexta-feira, 5 de setembro de 2008

LÂMINA PARA O MENINO NU























Doura um colar de ossos
na tua tormenta

e o trânsito desta fome
desola jugulares.

O ranger da tua arquiteura
arruinou meu sorriso.

[Meu coração
no retrato 3x4
lambe tua porta].


Rita Medusa.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

O Beija-flor

Lá está, bela e plena
a doce flor perfumada.
Ela se abre e gentilmente
inunda-se de néctar.
Nectar doce, envolvente,
que aguça o meu paladar.
Néctar doce, excelente,
que saliva a minha boca ávida
para as pétalas rosadas beijar.
Ah, e quando os meu lábios
tocam os láibios da flor...
Como mágica, um fogo
nos envolve plenamente.
Então, ela toda estremece,
sorri e se contorce contente
com o beijo lúbrico que dou.
Por fim, com um olhar pleno,
satisfeito e indecente,
ela me agradece num frenesi
com um espasmo molhado de amor.

sábado, 30 de agosto de 2008

EU, VESTIDO DE BRANCO

















Olá, minha morte!
Como andaste sem meu pés?

Anderson H.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

ANJO PROFANO





















Faze em mim a tua vontade
e me coloca no choque

da coincidência
do evidente desejo

na face a face

da colisão dos sentidos
que não se desviam
e se deixam.

Cola teus olhos aos meus
e te encontro aqui dentro

da iminência
do silêncio e gozo.

Faze em mim

em verso físico,
entre minhas pernas,
tuas rimas, meu anjo!



Ivonefs.

domingo, 17 de agosto de 2008

Mascarar

optei pelo disfarce
em minhas contas não conto a verdade
consta que procedo correto

decido a ludibriar o que sinto e penso
(e só de pensar me vem a máscara)
finjo que tudo é etéreo
e que a vida é bonita

de nada vale a carícia
quando precedida pela, e precedendo a explicação
vale o gosto que não se prova
vale a dúvida que não esmorece

o disfarce é a maneira covarde de anunciar tristeza
a que não se anuncia ao primeiro olhar
e tudo passa por belo
por proveitoso
e aceitável

quando me vires novamente
não me digas a verdade
essa serve ao que não anseia e não vive
digas o que faz bem
e assim talvez o disfarce desfaleça

sabes bem que em meu peito bate disfarçado um luto
a luta perdida no afastar-se
na diferença

se eu me chamasse cômodo
e o mundo fosse em camadas
esperaria
esperaria
esperaria

e fico aqui
um eterno dissimular das sensações que não raciocino
elas são meu ser e minha ausência
de pecado e de vivacidade
e que só me serviram para não viver
viver

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

DO LADO DE FORA




















num certo caso,
perde-se o senso,

perde-se o tempo
nas filas de espera,

ociosas horas
de olhar vitrines

de andar sem rumo
e não tomar tento.

São horas mortas,
não tuas,
são doloridas e disfarçadas.

São horas cruas
que como em jejum.



Ivonefs.

terça-feira, 8 de julho de 2008

MULA SEM CABEÇA
















Naquela manhã, o povo do Vilarejo de São José da Serra, teve uma surpresa que ficaria na memória de todos, por décadas. Sob o barracão da Igreja, repousava o corpo nu, do jovem seminarista que vivia na cidade há quatro meses. Sua cabeça estava rachada, na altura da testa e seus braços e peito, traziam marcas de potentes cascos de cavalo. Sobre seu corpo, no telhado do galpão, telhas e madeiras apresentavam sinais de queimadura em apenas uma pequena área.
Uma jovem moça morena, chorava, sentada ao lado do corpo. Nua e cheirando a fumaça, ela trazia as mãos cobertas de sangue e massa encefálica. Seus olhos castanhos brilhavam num misto de alegria e libertação. E pelo resto de sua vida, ela nunca mais proferiu uma única palavra. No quarto do seminarista estavam as roupas dele e da moça. Sobre a cama, um exame de gravidez, no nome da moça, constatando que a gestação já passava dos 100 dias. Nenhum animal eqüino foi encontrado num raio de 10 quilômetros do local do ocorrido e o jovem rapaz, que se preparava para os votos perpétuos, vinha há dias, tentando terminar uma carta de desistência para o bispado local. O que realmente vinha acontecendo nos últimos quatro meses e o acontecido naquela noite, se tornaram o maior mistério da história do lugarejo.



Beto e Fernanda Reis.