segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

INTERNOS DIÁRIOS





















O caldo quente que jorra
do vesgo dos meus olhos
neste lamento
tu não vês agora,
estão cá dentro.
Jorram ao contráio
molhando minhas entranhas
e internos diários.



Heloísa Galvez. Ilustração: a autora aos 15 anos de idade.

QUEM



















Entrei
máquina do tempo
templário loiro
vi nos braços meus
eu
cigana escura
vestido azul
corpos nus
adeus pela manhã
ciganinha ruiva
epreitando
nunca notei
guerreiro partiu
nunca voltou
morri
ciganinha chorou
e mais ninguém
afinal
você é quem?
Heloisa Galvez. Ilustração, Tropical , de Victor Manuel garcia Gitana.

domingo, 6 de janeiro de 2008

BÁLSAMO























Se me perguntarem
do cheiro da saudade,
vou dizer que hoje,
no final da tarde,

um cheiro forte
de dama inglesa
no fim da vida
me trouxe norte.

O resto, só sei supôr.

Falo com propriedade
do cheiro da saudade
que faz pulsar amor.


Bárbara Leite

sábado, 5 de janeiro de 2008

Carta a Lúcifer






















Minha vontade de te ter agora,
Sobrepõe minha necessidade de respirar,
Um desejo de não ser repreendida
Pelo que faça ou fale na vida,
Pelo comportamento do momento,
Pelo que visto, etc...e tal.
Te quero Lúcifer e tua lucidez,
Não quero-te e sim te quero,
Teus olhos pidões,tua insensatez...
Quero tua fome em meu corpo,
Tua nitidez de idéias e vontades,
Depravação, sadismo e submissão.
Um ser completo, objeto, intelecto,
Segurança e protetor...O meu amor!
Dizem que para tê-lo terei que morrer
Ou morar nas chamas do inferno,
Mas e o que disse o poeta:
Que o Inferno é aqui mesmo?
Quero teus braços, teus beijos
E os olhares de reprovação,
Como um voyer em contemplação.
E gozar, e gozar, e gozar, plena
De ter te tido, te amado, possuido,
Do jeito que o Diabo gosta!!!

Preciso urgênte de resposta!!!!

A VIDA























Há dias em que ela é tão linda quanto o amanhecer.
E, em outros, nem sempre é o que pode parecer.
É, também, como um ocaso, aparente...
A vida é pura magia, fato decorrente!

Fantasias que fazemos e nem sempre realizamos.
Desejos que aspiramos e nem sempre conquistamos.

Caminhos que nem sempre são floridos.
E quase sempre (do homem) são perdidos.

Vitoriosos dias de batalha, que lutamos.
E, longos dias de derrotas que ultrapassamos.

Momentos mágicos, como nascimento.
Momentos fúnebres... Lamento!!!

A sensibilidade para sonhar com o que almejamos...
Assim como o renascimentos que procuramos.

É o desejo que temos que crescer...
e novamente, como Fênix, renascer.



Fernanda Reis.

INCA























Conheço essas feições de inca,
esse perfil andino em cobre cinzelado!
Não preciso sequer fechar os olhos
para redesenhar em pensamento
os ângulos abruptos,
os súbtos penhascos,
paisagens desse rosto inusitado.
Qualquer coisa me toca fugazmente
o âmago do cérebro.
A idéia que não sei apreender,
no escuro de todas as idéias,
como chama de vela
trêmula e dança.

Uma dor, um ardor, uma lembrança?
Traços sombrios de sulamericano,
os cílios longos como de criança.



Betty Vidigal. Ilustração: índio quechua.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

BACCANALE


















A masmorra em um beijo.
Encantamentos gelados
que acasulam!!!
_Um brinde às nossas máscaras!

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Fantasia moribunda?!...
Adeus! Vamos raiar ou transbordar
em móbiles de dores
e de cores da melancolia...
_Uuuuuuuuuuuuuu!!!...
parada para roubar almas!...



Rita Medusa. Ilustração: cena de De Olhos Bem Fechados - Stanley Kubrick, 1999.