terça-feira, 27 de maio de 2008

Retratos de Charlotte


Ah, Charlotte!
Quase revolucionária, "sans-coulote"
Que na França "fin-de-siècle"
Deitou armas e Amor
e amou no dezoito...

Ah, Charlotte!
que renasceu russa século e meio
depois
cubana meio século depois
paris sessenta e oito e retornou
"à la maison"
sem menção de reacionar
só de armar e Amar
e amou no mundo inteiro

quinta-feira, 15 de maio de 2008

d'uma estrela
























se à noite
..........o céu fosse
...............................meu



só haveria
...........lugar
pra uma estrela



e esse
........... lugar seria





.......................................seu.


André Espínola

oriente tripartido

(I)
de manhã quando
minha lua vai embora
fico lembrando

(II)
vida é axioma
mine a esperança
viva em coma

(III)
um haikai
faz que vai sair
e não sai

45






















Nada tenho com 45.
Cansei de sua presença
e não o convido para jantar.
Cansei dos termos pensados
e do intimismo falso,
composto, de educação.
O que escrevo não é educado.
Não teço versos afetados
para justificar uma ausência
de Deus ou transcendência.
Não usarei palavras compostas,
pois não tenho compostura.
O que digo é franco e simples,
honesto, porém aqui,
ninguém é original
como eu, visto que isso
é questão de “gosto” e espírito!



Marcelo Farias - Ultramodernidade. Ilustração: Magritte.

terça-feira, 13 de maio de 2008

A POESIA QUE SONHO


















A poesia que sonho, desde menina,
é uma poesia doce, discreta,
de imagens singelas e completas...
Versos livres de amor vivido e feliz, feito esses
que as meninas escrevem no quadro a giz.
A poesia que sonho tem rosas e açucenas,
lua e estrelas às centenas... Palavras
intensas e serenas, mas ricas em essência.
A poesia que sonho deve ter a cor da paixão,
capaz de partir em dois a centelha.
A poesia que sonho... espera você
para escrevê-la.



Sirlei L. Passolongo.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

em diração sul


bêbado,
.
eu vi o céu cinzento
desenhar com nuvens
um coração
azul.
.
bêbado,
.
eu logo vi o vento
desmanchá-lo
.
e seguir,
bêbado,
.
na direção
sul.
.
André Espínola

quinta-feira, 8 de maio de 2008

INCLASSIFICÁVEL






















Porque pensa que me sabe de cor?
Não. Com você não passei do limite.
Fui um dedo. Um dedo... apenas, um dedo.

O que faz me prender
nessas noites em que penso nessa droga
(que quero)
essa droga... de querer-te, sim?!

Você que desliza de tantos deslizes...
Chega, afinal, chega!
Dois pontos: aqui não cabe mais nada... senão você.

Me perco,
perde

Vem devagar... devagar
calmamente... insinua... e completa...
até o finalmente!

Em baixo do Cruzeiro do Sul
me ganha, na grama e guarda
por dentro e por ora

A arte
me inspira
me espia,
com seus olhos abertos
e os seus, de dentro (tão pequenos!)
me bloqueia e não ateia
se bloqueia
dependente de pequenas queixas
inválido
injuriado
disfarçado
se esquece, que é, apesar delas...

O que?

(se não tenho, pode até me bastar... saber do seu desejo?)

É preciso não se perder.
É preciso estar atento.
É preciso desviar e não precisa de licença.

Por que põe na minha boca o gosto do que pode ser... e me deixa assim?!
Tão dependente.
Ivonefs.