quarta-feira, 10 de outubro de 2007

BACANTE


















As uvas encerram o segredo da noite.
O sengue da noite circula em sua carne.
Colhi minhas uvas no antro da noite
E vi minhas mãos tremerem de febre...
Febre!

(Um látego frio lambeu-me na espinha!)

Em verdade, em verdade vos digo,
Bebei deste sangue e não morrerás!
Bebei deste vinho e não passarás!
Ainda que o tempo e a vida se escoem,
Bebei deste sangue e não passarás!

_Toma, Pedro! Pega e toma!
Este é o cálice do meu sangue,
O sangue da nova e eterna aliança,
O sangue da dança!
Que é dado por vós em memória de nós!

(Um copo de vinho se abre à minha frente...)

_Ah, arte da noite que vem e que chama,
que inflama na mente a luz de um flama!
_Ah, flama caliente que queima e profana
a alma da gente que louca se dana!...

_E nunca viste?!
E nunca viste o festim noturno?!
E nunca viste o sabbath da noite?!
_E nunca viste?!

A Lua convida no vinho do céu,
Estrelas derramam seu leite de luz,
As fadas cirandam envoltas no véu
de sombras da noite que enlçaça e seduz.

Um manto de sonhos bordado de imagens,
De vagas miragens que nascem do espectro.
_Ah, mágico espelho, te vejo nas márgens
Da taça em que bebo teu sangue abjeto!

_Um brinde!
_Um brinde a mim!
_Um brinde a vós!
_Um brinde a todos nós!
_Um brinde à louca demente!
_Um brinde à mora indecente!
_Um brinde a tudo que fui!
E ao que serei, bem mais que não fui!


Marcelo Farias - Para Entender a Mágica

Um comentário:

Virgílio disse...

bacana o texto. digno deste blog.