quinta-feira, 26 de março de 2009

O SOL EXPLODIDO


















Belo. Tão lindo que a cidade dá passagem, estende calçadas, exala cheiro, cobre de folhas de suas árvores a sua cabeça boa, pensante, charmosamente babélica, de uma inteligência estarrecedora.

Cosmopolita. Do tipo que não pede passagem, chuta a porta, expulsa invasor. Ri ácido do que é comédia, malicioso, delicioso.

Em Minas encontrei meu ouro, horizonte de resplandecente sol que explodiu na minha face sempre vermelha quando em frente ao sorriso dele. Nunca tive dúvida e sei que sou mineira. Com o brilho dele, agora está claro, sou uma brasiliense falsificada, meu negócio é profundeza, minério, Minas. Atrativa Minas em mim.

Eu não exibo da vovó só os olhos, extraí dela a vontade. Meu uai tem cabimento!
E me deixei ser presa de um fera que pega e faz, assim , sem explicação. Pega e enlaça, abrange, envolve, não tem escapatória. - (Denise Machado)

segunda-feira, 16 de março de 2009

Ruínas.



Quando já não está escuro - o céu.
Esqueces de abrir os olhos;
Finja-se de morta - então -, e mais nada.

Estás esquecida, e isolada - não morta -, tal qual uma infeliz.

Ele - aquele -, mesmo doente;
Derrubou nos mares os sete véus de sua desgraça- bem merecida, eu diria;

Opiniões e decisões - ventanias tão calmas quando tu estás dormindo;
E a exceção à minha regra, não se habilita para o combate.

A Idade, não é mais Média - tua velhice engana os tempos;
Ventos - ainda -, que tu chama de furacões em desova.

Essa cria que nunca nasce - empate. Pra tu e pra ele.
Ambos doentes...
Ambos sãos de si mesmos...

Todos somos enganados.
Todos.

domingo, 15 de março de 2009

BLÁ, BLÁ, BLÁ


















E falo do gás
como quem trás

seus uis e ais
alargando umbrais

de estreitura voraz
- capricho mordaz -

das musas más
que vivem no cais

atracadas no loquaz


Lanoia.

sábado, 7 de março de 2009

ASTRID





















Ensaio fotográfico de Astrid Kirchherr, primeira fotógrafa dos Beatles.


O muro apresenta mil mãos
pintadas, pregadas
paredes em multi-cores:
amarelo, branco e azul.

Zeppelin
voa em céu cinza
e só pensas
que a arte em metal é bela:
fumaça, argamassa e chuva.

Na praça, mãos dadas,
com teu avô
que lembra poesia e bordéis
de amor supremo
em prêmio
que não paga o dote.

A aspereza, o rigor, a sorte
desprezas em passos largos
demais para tuas pernas,
que esperas
não esperem mais.

A revolução fez-se em ti
numa noite de verão.

A escuridão é azul!
O vermelho é paixão
Numa cartilha de esperança,
um poema de Drummond.

Quando o dia de amanhã te veio,
colheste flores de murilo
para enfeitar teus cabelos azúis.

sexta-feira, 6 de março de 2009

PAULISTÂNIAS


















(I)
**************
meu Despertador
é um pássaro
que bota sons
e choca ouvidos.
**************

(II)
*****************
todo edifício
é um inseto:

com casco de pedra,
asas de vidro
e antenas metálicas.
******************

(III)
******************
celular é um retrovírus
que viaja no ar
mensagens mutantes.
******************

Anderson H. Ilustração: cena de Metropolis (1927), de Fritz Lang.

quarta-feira, 4 de março de 2009

AMOR

















Aos pouco você se mostra
feito o outono
que chega manso
pra levar o sol
para passear
enquanto
as folhas caem
para o inverno
entrar.


Sirlei L. Passolongo

CAMELOS VOADORES


















.

camelos voadores riem da minha cara
olhando ao espelho quebrado vejo vozes amareladas
outra manhã nesse recinto pouco arejado
sabor e cheiro suave de pão de queijo com mousse de maracujá

bate-se a porta ao lado
é outro ser que desperta enquanto o sol ainda não brilha
diálogo é o último desejo de quem deseja dormir
mas acordado louvamos a aurora borrada de branco

luzes cintilantes internas me ofuscam
daquilo que pretendia colorir
mas agradeço o ar poluído que exalo
deito e repouso nesse travesseiro de pedra.

Éffe