sábado, 28 de novembro de 2009

QUEDA (LIVRE)























Subiu a escada
Desceu a escada

Como sempre, tudo muito normal

Subiu a escada
Desceu a escada

Como sempre, tudo muito comum

Subiu a escada
Desceu a escada

Como sempre, tudo muito trivial

Subiu a escada
Caiu da escada

E nunca mais subiu a lugar nenhum

Eder Ferreira

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Escolha




Em tudo crio
um lânguido olhar teu - infame sacrifício
À enterrar-me aos pés de ilusões perfeitas.

Assim como o sol arde em claridade;
Assim, a claridade segue apagando meus ideais.


Do desencanto,
espero nascer a nostalgia (engano)
desde os teus pés a caminhar sobre o meu chão
até o meu rosto que encontra-se entre os dois...

Quero queimar-me!

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

QUANDO A VIDA ERA MENINA

















Um pedacinho de arco-íris
Nuvens que pareciam
Flocos de algodão
Por trás dos olhos que riam... O sol
Com fina neblina
Embaraçando a retina.
A vida era uma menina...
O vento, as flores, os matagais
Era abrir as cortinas
E olhar um pouco mais...


Sirlei L. Passolongo

domingo, 1 de novembro de 2009

PENSANDO O TEMPO























Gostaria que o tempo
fosse como uma corda.
Não como uma cobra
de veneno sutil e lento.


José Ferreira

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O QUADRO INACABADO






















Aquele quadro que está ali na parede
É minha obra inacabada
Percebam que não tem espaço vazio
Os prados, os montes, a casinha da colina
As crianças, o lobo, o rio com peixinhos coloridos
Preenchem cada vão da minha arte inacabada

Percebam, eu estou lá
Em algum lugar tentando explodir
Uma pedra
Tentando escrever algo de domingo
Rabiscando agendas
Chorando palavras jogadas
Com tinta sangue

Aquele quadro que está ali na parede
Tem muito de mim
Percebam que as pessoas não param
E o vento inquieto faz cócega nas folhas das palmeiras
Percebam a inquietação dos coelhinhos
E a irritação dos potros

Percebam, eu estou lá
Sentado nalgum lugar
Entre as prisões que eu mesmo pintei
Tem tudo de mim neste quadro
Percebam
Os sentimentos, as emoções, esta ânsia de amar
Percebam
Eu estou lá, em algum lugar tentando explodir uma pedra.


Radyr. Ilustração: quadro sem título de Augustin de Lassus.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

GUARD' ALMA

















a Árvore, pobre árvore,
vizinha antiga enraizada no chão do bairro italiano,
guarda ampla visão de meus passos plact plact:

quatro mil
duzentos
e poucos.

penso que a Árvore, pobre árvore,
pelo amor que me tem de graça,
sabe mais das coisas da terra
que das coisas próprias das árvores:

então é seca...

sem pássaros que lhe defequem nos pés desnudos...

Árvore, pobre árvore,
por se importar mais com os buracos,

nascituros
esfomeados
que hão de comer-me
os tombos,

não observa a passagem do tempo.

é como as pombas sonorolentas
que espreitam os suicidas
do parapeito das janelas.

- toda-via, toda-via, não me iludo!
quando desabo num vão de estrada
sei que se ri das raízes à copa!
Anderson H

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

SONHOS























As mãos cansadas tateiam nos lençóis

Um pouco de voz da noite

As nuvens que passam sob meus olhos fechados

Observam o rio que toca o calcanhar dos meus sonhos

A luz da fresta do ontem

Descobre o rosto escondido pelo nó

Enquanto o tempo, descosturando os meus cabelos

Dança com meu peito

Embalado pelo sopro gentil de uma janela rara.


Flávio Umaguma