quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

CINZA



















À Duda de Oliveira

Já vi o mundo como um quadro de Magritte:

Terra esterco destroçada
a casa de meus ancestrais.
Arame farpado cinza.
O céu nublado de morte.

Torres de vidro e concreto:
mundo de aço e de gaz!
O céu é cinza
(e os ternos também!).

Cai a chuva.
O vidro chora
Em Manhattan,
Liverpool...

A vida nubla lá fora.
Anos 30.
Anos 60...

Eu só quero um pub punk,
moderno,
quieto,
inglês.

Há uma beleza no cinza
e que quase ninguém vê
_poesia concreta.


Marcelo Farias - Ultramodernidade. Ilustração: Golconda - René Magritte.

4 comentários:

Denise disse...

Amei o final! Um achado !
Construiu sentimento em cimento, meu caro!

Bom te ler, bom te ler...

Duda disse...

Ai, que lindo!
Nossa, muito obrigada, mesmo... Não podia tê-lo feito melhor.
E a imagem está excelente também.
Muito obrigada! Beijos!

Duda disse...

Mu Dieu! Manhattan, Liverpool... E quase ninguém vê!


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Astrid disse...

Eu gosto do vidro chorando.
Suando lágrimas.