sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

O VAMPIRO DA BELEZA



















Márcio Santana não produz literatura... vive!... Jamais haveria Márcio Santana se não existissem as letras. Carregando seu bloquinho para quaisquer anotações casuais, Márcio fotografa momentos no papel. Produz esboços para depois transformá-los em quadros de intensa vida, como um Degas, um Van Gogh, um Lautrec das letras. Seus textos parecem exalar cheiro, emanar calor... São quentes e úmidos, como a Manaus em que vive.
Espírito da noite, Márcio vaga por bares e praças, boates e bordéis. Convive com amigos e estranhos. Se alimenta de ambiêntes e pessoas como se fosse um vampiro benévolo, que suga a vida para transformá-la em beleza. Seus personagens são o bêbado, a puta, o vagabundo, o drogado, o travesti... Tudo o que cheira, ou fede à vida lhe apetece. São como ilustres anônimos que ganham dimensões gigantescas sob sua pena.
Mas Márcio também delira. Entusiasta do realismo mágico, envereda pelo absurdo para expressar uma outra dimensão do real: a interna. Escreve contos surrealistas que são como sonhos, quase ininteligíveis. Porém, ao decifrá-los, podemos visualizar nuances da realidade que nos passavam despercebidas, ou que não queríamos ver. É como se Márcio fosse parido por Freud e criado (como bastardo!) por Jung. Uma vez adulto, tornou-se irmão de Reich... e rompeu com todas as carapaças!...


Marcelo Farias

Um comentário:

O LEQUE disse...

Texto lindo, Marcelo. Obrigado mesmo. Pô, olha, sem palavras rsssss
valeu pelo Vampiro da beleza!!