terça-feira, 13 de janeiro de 2009

CARNE, OSSOS E PEDRAS


















terra das mamas secas de orvalho
o rio que traz os mais velhos
são memórias dos antepassados
moldando em espinhos o orgulho

o vento aqui é invisível ou leve
sopro das narinas de um dragão
o caminho queima seco e duro
o sol urtiga que queima o chão

espantalhos do nada enraizamos
na terra a esperança em cactos
procissão fé novenas e pactos
seco corre o rio nas linhas das mãos

só a volta para farinha da rocha
é a única certeza real desse torrão

Calaça.

3 comentários:

MARCELO FARIAS disse...

Extraordinário!

Adestrador de Tempestades disse...

me lembra as letras da banda paraense "madame saatan"- a porrada bate seca nesses versos cor de balsamos

diego moraes com (E)

Denise disse...

Estranho porque pouca literatura seja de qualquer gênero consegue me colocar em algum lugar que estive.
Fui enquanto lia esse belíssimo poema.