quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

VASO DE DESONRA



















Não! Não foi de sonhos
Que antepus as vértebras
De um caco insípido de Paraíso.

Em tantas abstrações de um
Fragmento asmático de alma
As canções espremidas por uma
Esgrima de fibra fina, converteram-se
Em um mesmo oxímoro:
Filho bastardo e inacabado
Em apreensões onde me deixo
Ser a raiz de um pesadelo
Amarelo.

Em uma parada de intermitências
De escama funda, estão parados
Todos os jazigos do rude
Calor em subsolo.

A sombra sobra em sussurros!

Se amei um arbusto acabado
E ainda foi pouco é porque
As copas do meu infinito
Reclamaram os desvarios
Simplistas das cordas
Da minha cova.

Mas não odeio a existência
Passada de validades
De um caroço do tempo
Que é contado por ponteiros
De braços macios e sentados
Na beira de uma calamidade (no eu).

Modernismo virado do avesso
Numa amnésia conjunta
E antipática, anti-séptica
Cética da crença descarada
Que roeu todos os objetos

De indiferença que foram
Criados de alguma objeção.

O grito é um asilo pra uma voz!

E o dia imergiu afundado
Em si mesmo, como a pedir
Socorro ao meu braço
De sangue: “cão por baixo
Da terra”!

De dois remos foram feitos
As correntezas que esmagam
As carências de incerteza
E opiniões forjadas
Na urina de um crepúsculo
Abstêmio, de um mar
Subdividido em cima
De uma ponte-pronta
De desassossego.

Reneguei os apelos
Da carne má, num culto
Abrasado a imagens secas
De uma estiagem de solo
Petrificado de matiz incerta.

Reneguei meus ossos num
Abandono vil de mim, quebrado
Pelo eu em calmaria treva.

O tempo é o caixão do pensamento!

dos Anjos.

3 comentários:

MARCELO FARIAS disse...

Negativo do coração (que não se vê).

Trish River disse...

O tempo descrito em palavras, é sempre mais doloroso.

Bento disse...

a poesia de dos Anjos é um nevoeiro
com imagens poéticas distorcidas...
Há de se ter paciência e esperar o vento passar, para ver poesia das boas!

Fodaço!

(Calaça)